Demarcação de terra de indígenas isolados em MT é concluída após mais de 27 anos

Jair Candor, renomado indigenista da Funai, finca o primeiro marco durante o processo de demarcação na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo em Colniza (MT) F...

Demarcação de terra de indígenas isolados em MT é concluída após mais de 27 anos
Demarcação de terra de indígenas isolados em MT é concluída após mais de 27 anos (Foto: Reprodução)

Jair Candor, renomado indigenista da Funai, finca o primeiro marco durante o processo de demarcação na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo em Colniza (MT) Funai A demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, em Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, foi concluída após 27 anos de espera. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (6) pela organização não governamental Survival International. Com a instalação dos marcos e placas que delimitam oficialmente o território, o processo entra na etapa final e passa a depender apenas da homologação por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A área é habitada pelos indígenas isolados Kawahiva, um povo caçador-coletor nômade que depende integralmente da floresta para sobreviver. Segundo a ONG, eles são sobreviventes de massacres e epidemias que dizimaram parte de seu povo e, por isso, mantêm a decisão de viver sem contato com não indígenas. LEIA MAIS: Invasores constroem casas em terra indígena de tribo isolada em MT e deixam a área após notificação de órgãos federais MPF pede que governo de MT cumpra decisão para garantir segurança na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo Mais de 13 mil hectares foram desmatados na Terra Indígena Kawahiva (MT) em 14 anos, diz Funai Embora a conclusão da demarcação física represente um avanço histórico, a homologação presidencial é considerada essencial para garantir a proteção jurídica definitiva do território. A Survival International afirma que a terra continua sob pressão de grileiros, madeireiros e grupos interessados na exploração da região, que ao longo dos anos recorreram a disputas judiciais, pressões políticas, incêndios criminosos e episódios de violência para tentar impedir o reconhecimento da área. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Agora no g1 O processo contou com o trabalho da Base de Proteção Etnoambiental Madeirinha Juruena, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Mesmo com recursos limitados, a equipe atuou durante décadas no monitoramento e fiscalização da área para impedir invasões enquanto a demarcação não era concluída. Organizações como o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) também participaram das ações de proteção territorial. Nos últimos meses, o indigenista Jair Candor e sua equipe percorreram a terra indígena por mais de dois meses para instalar os marcos e as placas que identificam os limites do território. Candor afirmou que a conclusão dessa etapa representa um marco importante para a segurança dos indígenas isolados. Indígenas kawahiva que vivem isolados em Mato Grosso Funai/Jair Candor Segundo ele, a partir do momento que a demarcação física é implantada, ela traz mais segurança porque assim as pessoas vão começar a entender que é real, mas "a guerra continua porque agora vem a homologação". Em nota, a Funai também destacou que a conclusão da demarcação física representa um avanço importante no processo iniciado há quase 30 anos. Segundo a fundação, a instalação dos marcos materializa em campo os limites já definidos administrativamente e permite que o processo siga para a fase final, que é a homologação por decreto presidencial, responsável por conferir validade jurídica definitiva ao território. A campanha pela proteção da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo reúne, há anos, organizações indígenas e indigenistas. Além da Survival International, participam da mobilização a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), o Indian Law Resource Center, a Operação Amazônia Nativa (Opan), o Observatório dos Povos Indígenas Isolados (Opi) e o Centro de Trabalho Indigenista (CTI). Proteção depende de fiscalização permanente Base permanente da Funai na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, em Colniza Vinícius Mendonça/Ibama Apesar do avanço, organizações que acompanham o caso alertam que a homologação, por si só, não encerra os desafios para a proteção da área. Segundo a Survival International, será necessária a presença permanente de equipes do governo para monitorar o território, combater invasões e impedir a ocupação ilegal da terra. A organização ressalta que a fiscalização contínua é considerada indispensável para assegurar a integridade da floresta e a sobrevivência dos indígenas isolados que vivem na região.

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